Alguns motivos para as navegações:
Era necessário quebrar o monopólio árabe-italiano no
comércio de especiarias (cravo, canela, pimenta, noz-moscada, gengibre) e de
artigos de luxo (porcelana, tecidos de seda, marfim, perfumes). Até então, os
mercadores de cidades como Gênova e Veneza controlavam a entrada de todos os
produtos vindos do Oriente ( Ásia e
África). Era preciso encontrar outras rotas que evitasse o mar Mediterrâneo.
• A grande
crise dos séculos XIV e XV: A Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra
marcou toda a Europa, comprometendo as rotas comerciais terrestres que cruzavam
a França. E, por sua vez a peste negra trouxe uma forte retração nas atividades
comerciais, uma vez que dizimou a população. E, também para completar veio uma
grande fome sob a população, devido a falta de alimentos. Era necessário
conquistar novos mercados, fora da Europa, que fornecessem alimentos e também
matéria-prima para incrementar as atividades econômicas.
• Novos
mercados para o artesanato e as manufaturas urbanas precisavam ganhar novos
consumidores. Do contrário, permaneceriam estagnados, atendendo apenas às
modestas necessidades de consumo das populações locais.
• A Europa
vivia um momento de esgotamento das minas de metais preciosos, o que bloqueava
o comércio e provocava uma verdadeira sede de ouro. Era necessário descobrir
jazidas de metais preciosos em outras regiões do mundo.
• Foram os
Estados nacionasi, já fortalecidos que impulsionaram a expansão marítima. O rei
estaria assim, aumentando seus poderes, a nobreza manteria seus privilégios e a
burguesia, aumentaria seus lucros.
• Propagação
da fé cristã.
• Evolução
tecnológica apropriada: navios, mapas, instrumentos de navegação ( bússola, do
astrolábio e do quadrante, a caravela), a aceitação do conceito de que a Terra
é redonda, etc.
A navegação marítima

No século XV, como não se conhecia o tamanho e a forma exata
do planeta, quase todos tinham medo das longas viagens marítimas,
principalmente pelo oceano Atlântico, conhecido como "Mar Tenebroso".
Além disso, fantasias e lendas criavam um clima de insegurança entre os
marinheiros.
Entretanto, a possibilidade de enriquecimento e de viver em
melhores condições fazia com que muitos participassem das grandes viagens,
mesmo temendo o mar. O tempo e a experiência marítima foram mostrando que
muitos medos era justificados (tempestades ou naufrágios) e outros eram
imaginários ( monstros marinhos e abismos, por exemplo).
A vida dos marinheiros nos navios não era fácil. Os
alojamentos da tripulação eram imundos, rústicos e apertados, e as viagens,
longas e desconfortáveis. Muitos morriam de escorbuto, devido à escassez de
legumes e verduras (fontes de vitaminas C) na alimentação.
Contudo, diversas inovações técnicas colaboraram para o
desenvolvimento da navegação marítima de longa distância, como a caravela, a
cartografia e a bússola. A caravela foi a principal embarcação marítima
utilizada pelos portugueses, era um navio de estrutura leve movido pelo vento;
sua principal característica era a vela de formato triangular (latina), que
podia ser ajustada em várias direções para captar a força do vento. Assim,
qualquer que fosse o sentido do vento, a caravela podia navegar na direção
desejada pelo piloto. Com as viagens marítimas, a cartografia (elaboração de
mapas) teve significativo desenvolvimento. A partir do século XV, surgiram
mapas com os primeiros registros das terras descobertas na África e na América.
Esses mapas eram considerados verdadeiros segredos de Estado, mas as
informações circulavam quando o navegador de um país passava a servir a outro.
Outro instrumento de orientação espacial introduzido na
navegação europeia desse período foi a bússola, cuja invenção é atribuída aos
antigos chineses. Foram, porém, os árabes que a levaram para a Europa, onde
começou a ser utilizada pelos navegadores.
Trecho do livros História Global de Gilberto Cotrim
Expansão portuguesa
Com a unificação como monarquia nacional desde 1385, quando
João I venceu a disputa com o reino de Castela e assumiu o trono do país na
Revolução de Avis, Portugal foi a primeira nação europeia a lançar-se ao oceano
Atlântico. Além do governo forte, outros fatores que explicam a primazia
portuguesa são a posição geográfica favorável, a situação de paz interna (ao
contrário da França e da Inglaterra, envolvidas na Guerra dos Cem Anos), a determinação
de disseminar a fé cristã e a avançada tecnologia náutica, cujos estudos - que
resultaram na invenção da caravela- se concentravam na célebre Escola de
Sagres.
Principais fases da expansão portuguesa
1. A
conquista de Ceuta
Dominada por árabes, Ceuta era um rico centro de negócios e
militar situado no norte da África, onde se vendiam e compravam sedas, marfim,
cera, mel, ouro e escravos. Entretanto, a conquista portuguesa deu-se de forma
tão violenta e destrutiva que os comerciantes árabes afastaram-se da cidade.
Depois de saqueada pelos portugueses, Ceuta perdeu seu brilho como centro
comercial.
1. A chegada
de Vasco da Gama às Índias
O sonho dos portugueses era: chegar às Índias contornando a
costa do continente africano (périplo africano). Para isso, os portugueses
foram, pouco a pouco, avançando pela costa africana e estabelecendo feitorias
(postos comerciais, onde obtinham ouro, sal, marfim, pimenta e escravos) pelo
litoral. Finalmente, em 1498, Vasco da Gama chegou às Índias (Calicute), realizan0do
o sonho dos portugueses.
Ampliam-se os horizontes para Portugal
1415:
Conquista de Ceuta.
1434: Gil
Enéas ultrapassa o cabo Bojador, considerado um temido obstáculo pelos
portugueses.
Em 1460,
Portugal já havia chegado até a região da atual Serra Leoa. E para ajudar o
católico país de Portugal, o papa Eugênio IV, garantiu-lhe através de uma bula
o monopólio comercial no continente africano e o direito de “capturar e
subjugar os sarracenos (muçulmanos) e pagãos (africanos) e qualquer outro
incrédulo ou inimigo de Cristo, como também seus reinos, ducados, principados e
outras propriedades, assim como reduzir essas pessoas à escravidão perpétua”.
Em 1488
Bartolomeu Dias dobrou a extremidade sul do continente africano, chamando o
acidente geográfico ali encontrado de cabo das Tormentas, mudando esse nome
para cabo da Boa Esperança.
Em 1498
Vasco da Gama a chega a Calicute, na Índia atual. Era a prova definitiva de que
se podia chegar ao Oriente sem passar pelo Mediterrâneo.
Em 1500
Pedro Álvares Cabral afastando-se da costa africana alcançou terras a oeste do
Atlântico Sul. As razões desse afastamento - se propositado ou acidental - são
discutidas até hoje entre alguns historiadores. Cabral avista um monte que
recebeu o nome de monte Pascoal (por ser a semana da Páscoa); aterra foi
batizada com o nome de Vera Cruz, posteriormente alterado para Terra de Santa
Cruz. O nome atual, Brasil, só passou a ser adotado a partir de 1503, devido à
grande quantidade da árvore chamada pau-brasil encontrada no litoral. Após
isso, Cabral segue viagem em direção à Índia, a fim de estabelecer tratados de
comércio com os povos do Oriente.
Pero Vaz de Caminha, escrivão de Cabral descreve o Brasil ao
rei de Portugal:
Esta terra, Senhor, é muito formosa. Nela até agora não
podemos saber se haja ouro, nem prata, nem nenhuma coisa de metal..., porém a
terra em si é de muito bons ares: as águas são muitas, infindas; em tal maneira
é graciosa, que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela de tudo, porém o melhor fruto,
que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente...
Em 1501 o
florentino Américo Vespúcio, a serviço do rei de Portugal, mapeou essas terras,
chegando à conclusão de que não faziam parte das Índias, mas sim de um novo
continente que, em sua homenagem, passou a ser chamado de America.
Entretanto, o enriquecimento do reino português era apenas
aparente. Além de contar com os escassos recursos humanos e materiais, seus
empreendimentos marítimos não condiziam com a dependência em relação a outros
centros, especialmente as companhias comerciais holandesas e italianas.
Interesses mercantis submetidos aos da coroa e nobreza a ela associada sugavam
recursos e se tornariam mais um entrave ao desenvolvimento comercial. Assim, o
capital gerado no processo acabou sendo transferido para outros centros
europeus, seja pela dependência de financiamentos externos, seja pelos gastos
da coroa e da nobreza, o que impediu um processo e acumulação de capitais para
investimentos dentro do próprio reino.
Expansão Espanhola
Ocupados com a unificação dos reinos locais de Aragão e
Castela, que ocorreu em 1469, e com a expulsão dos árabes, na Guerra da
Reconquista, que só se concluiria em 1492, os espanhóis começaram sua expansão
marítima um pouco mais tarde. Em 1492, os reis Fernando de Aragão e Isabel de
Castela aprovaram o audacioso plano de Cristóvão Colombo de chegar ao Oriente
indo rumo ao Ocidente. No meio do caminho, no entanto, o navegador deparou com
as Bahamas. O episódio ficaria conhecido como o descobrimento da América.
Porém, até então, pensava-se que as terras faziam parte da Ásia. Sendo assim,
Portugal reivindicou direitos sobre as áreas descobertas, e, em 1493, as duas
potências assinaram sob a intermediação do papa Alexandre VI a Bula Intercoetera,
por essa os espanhóis tinham assegurado a posse das terras americanas
descobertas ou a descobrir. Restava a Portugal a posse das terras africanas.
Substituída no ano seguinte pelo Tratado de Tordesilhas, dividindo entre si as
terras já conhecidas e as que ainda seriam descobertas por meio de uma linha
imaginária localizada a 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde. As terras
situadas a oeste do meridiano de Tordesilhas pertenceriam à Espanha, enquanto
as terras a leste seriam portuguesas. O "mundo descoberto" foi,
assim, dividido entre portugueses e espanhóis. Entretanto, outros reis como o
da França e o da Inglaterra, não concordavam com essa divisão.
Outros navegadores espanhóis
1499: Alonso Ojeda chega à Venezuela.
1500: Vicente Pinzón chega ao Brasil, no Amazonas
1511: Diogo Velasquez conquista Cuba.
1512: Ponce de León conquista a Flórida.
1513: Vasco Nunez Balboa alcança o oceano Pacífico.
1516: Dias Sólis chega ao rio da Prata.
1519: Fernão de Magalhâes e Sebastião del Cano partem para a
primeira viagem de circunavegação( volta completa ao mundo). Magalhães morre
durante a viagem e Sebastião completa viagem em 1521.
1519: Fernão Cortez inicia a conquista do México.
1531: Francisco Pizarro inicia a conquista do Peru.
1537: João Ayola chega ao Paraguai.
1541: Francisco Orellana explora o rio Amazonas.
Navegações Francesas, Inglesas e Holandesas.
Igualmente interessados em um novo caminho para o Oriente, e
, não aceitando o Tratado de Tordesilhas, que dividia o mundo de então, entre
Portugal e Espanha, franceses e ingleses lançaram-se às explorações marítimas,
concentrando-se no Atlântico Norte, pois espanhóis e portugueses já se
dedicavam às rotas do Atlântico Sul. Com isso, supunham que poderiam encontrar
uma "passagem noroeste" para a Ásia. A sonhada passagem noroeste não
foi encontrada, mas possibilitou que França e Inglaterra ocupassem a parte
norte da América, além de praticar a pirataria. Na Inglaterra, a pirataria foi
oficializada. A monarquia inglesa autorizava ataques e pilhagens contra navios
de nações inimigas, desde que os piratas (chamados de corsários ) dividissem os
lucros dos saques com o governo inglês.
• França:
1524: Giovano Verrazano explorou vasta região do litoral leste da América do
Norte. 1534: Jacques Cartier explorou a região do atual Canadá navegando pelo
rio São Lourenço.
• Inglaterra:
1497: Giovanni Caboto atingiu a América do Norte (atual Canadá). 1577: Francis
Drake, pirata inglês, empreendeu a segunda viagem de circunavegação, assaltando
navios espanhóis.
• Holanda:
1609: Henry Hudson descobriu na área que hoje corresponde aos EUA o rio que
atualmente leva o seu nome (rio Hudson). 1624: A Companhia das Índias
Ocidentais invade a Bahia, no Brasil. 1630: Forçados a se retirar da Bahia, os
holandeses atacaram Pernambuco e conquistaram a região açucareira. Permaneceram
no Brasil até 1654.
Consequências das navegações
Além de resultar na formação de enormes impérios coloniais,
principalmente na América, a descoberta de novas terras e rotas comerciais
provocou alterações profundas na sociedade europeia. O Velho Mundo se tornou o
centro e o principal beneficiado de um comércio mundial que interligava quatro
continentes. Por causa disso, a diversificação dos produtos e o aumento dos
valores negociados proporcionaram um enriquecimento maciço das burguesias.
Essas mudanças, ficaram conhecidas como Revolução Comercial. Podemos definir a
Revolução Comercial como o conjunto de mudanças que se operaram na economia
mundial entre os séculos XV e XVII,consolidando de forma definitiva os
alicerces do mundo capitalista. O mar Mediterrâneo, que constituía o principal
eixo econômico europeu, acabou sendo suplantado pelo oceano Atlântico. O
desenvolvimento da navegação através desse oceano possibilitou o acesso a
vastíssimas regiões do globo até então desconhecidas dos europeus, tornando o
comércio uma atividade de escala mundial.
A exploração das terras americanas, africanas e asiáticas
significou, assim, não só a ampliação das opções de comércio, mas também a
maior diversificação dos produtos comercializados e a expansão dos mercados
consumidores e abastecedores. Além disso, a descoberta das jazidas minerais
americanas assegurou o afluxo de grandes quantidades de metais preciosos,
solucionando o problema da carência monetária europeia. Assim, a expansão
marítima, e o comércio europeu, estabeleceriam as condições financeiras
necessárias para a burguesia europeia produzir, por meio da acumulação
primitiva de capitais, verificada durante o período da Revolução Comercial, uma
transformação ainda maior: a Revolução Industrial.
O poeta Fernando Pessoa ao escrever sobre as navegações,
está também, refletindo temas atuais e
universais que preocupam os homens hoje.
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "navegar
é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma
para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é
criar. Não canto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torna-la
grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a mina alma a lenha
desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade, ainda que para isso tenha
de a perder como minha (...).
Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram Quantos filhos em
vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó
mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele espelhou o
céu.